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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Doce, doce melancolia...

“Tenho períodos negros. Quem não tem? Mas eles não me possuem. Eles não são da minha doença, mas de meu ser. Pode-se dizer que tenho a coragem de tê-los.”
(Trecho do livro: Quando Nietzsche chorou)

Doce, doce melancolia. Seria realmente o tal “desespero”? Acho que o desespero está no caminho para o descontrole. E sim, ele ocorre. O desespero clama por ajuda e salvação. No desespero existe sim esperança, mas por causa do descontrole que o segue, essa esperança pode tomar vários rumos.
A negação, conforme alguns filósosfos, seria o desejo desesperado daquilo que se nega com tanta fervorosidade. E dentro deste contexto dá para encontrar vários exemplos do desejo desesperado de algo que não foi alcançado e por isso transformado em negação.
O suicídio, por exemplo, seria o grito de desespero por vida, que não vivida como planejado, acaba sendo negada no ato de desespero. Talvez sejá o máximo que o desespero possa causar ao desesperado, mas de nada realmente temos certeza nesse mundo.
Dizem que a morte é sim uma certeza, mas eu ainda me pergunto até quando. -“Não existe verdade absoluta” – Um professor que tive costumava sempre enfatizar esta frase. A cada dia que passa acredito mais nela.
Então onde entra a melancolia? É uma escolha? Eu acho que não. Nada surge sem algum motivo, às vezes só não temos conhecimento dele. Existe um motivo, nem sempre explorado ou questionado. Isso depende de como cada ser decide lidar com a sua melancolia.
A melancolia “sem motivos aparentes”, é exatamente aquela que com certeza não foi escolhida também, mas que não queremos ou não sabemos como explicá-la. No fundo, acho que não queremos mesmo. Nem sempre existe a necessidade de ajuda ou cura. Nem todas as pessoas tomadas por momentos de melancolia querem eliminá-los.
Não se trata de gostar dela ou de buscá-la. Apenas de se permitir vivê-la. Ao contrário do desespero, a melancolia não leva ao descontrole e sim à reflexão. Talvez seja necessária vez ou outra, e não aconteça por acaso.
Eu acredito que nada acontece por acaso.
E acredito também que é preciso sim ter coragem para aceitá-la. E fazer disto algo que traga alguma sabedoria. Normalmente traz. Não necessariamente motivos para dias felizes e sorridentes, respostas para algum sofrimento e resoluções para uma vida “reluzente” e esplendorosa.
Acho mais fácil, que o cessar ou cura do desespero, é que traga tais sentimentos e sensações de “renascimento”. O desespero é aquele que pode nos levar ao limite. E que normalmente precisa ser tratado, analisado, ou até medicado em alguns casos.
A melancolia é apenas o sentimento de “não-felicidade” naquele momento. E não torna alguém necessariamente infeliz por isso. A felicidade não significa estar alegre, animado e sorridente todo o tempo. Cada ser tem sua própria noção do que o faz feliz.
Mas muitas vezes ainda temos escolhas quanto a melancolia.
Tratá-la? Adquiri-la para uma vida inteira? Ou apenas aceitá-la e aprender a lidar com isso.
Ninguém precisa ser extraordinariamente feliz ou infeliz sempre. O mundo parece estar cada vez mais exagerado em relação à isso. Somos condicionados a pensar que pra tudo precisamos de ajuda, e que tudo deve ser psicologicamente tratado. Mas eu acho que nem tudo.
Quando você descobre que a melancolia faz parte do seu ser, pouco a pouco entende que ela existe por algumas razões, e que muitas vezes será nela, que ironicamente, irá curar muitas doenças da sua alma. E saberá o momento certo para aceitá-la ou descartá-la. Saberá que ao assumi-la, poderá lidar com ela. Sem deixar que a amargura e outros males a acompanhem, sem chegar ao desespero, sem viver em negação e numa vida “inventada”.
Apenas compreendê-la e aproveitá-la no que for possível. Não é fácil, mas é possível.
Como citado no início, “períodos negros”, pode-se ter coragem de tê-los sim.

Nicole


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